Escrevendo artigos científicos: já ficou louco?

Para quem já escreveu um artigo científico ou fez uma monografia aceitável para um Trabalho de Conclusão de Curso, sabe qual a dificuldade para entender o que escrever em cada seção do escopo do projeto e como escrever apropriadamente.

Para quem nunca se aventurou nesse mundo, no mínimo, você deve imaginar como seja. Não pense que o fato de ter um orientador te ajudará nesse sentido. O orientador, como o próprio nome diz, vai te orientar, te direcionar o caminho certo para o projeto. Ele não vai te ensinar o que fazer e como escrever a monografia, no máximo te falará que está errado.

Posso falar sobre isso em mais detalhes e tentar dar algumas dicas em outro momento, mas agora a intenção é apenas compartilhar duas oportunidades e ajudar os pobres mortais que passem por essa situação.

Curso em português

O pessoal da USP está com uma iniciativa visando melhorar o nível de qualidade dos artigos científicos escritos por brasileiros e disponibilizou um curso online chamado “Escrita Científica“:

“…especialmente desenvolvido para a disseminação de conhecimentos e treinamento na área de Escrita Científica. O site traz uma série de materiais, incluindo apostilas e vídeo-aulas, baseados em quase uma década de experiência do Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, na criação e aplicação de cursos e minicursos em Escrita Científica. Os cursos abordam tópicos em Estrutura e Linguagem, de forma modular, e foram desenvolvidos especialmente para qualificar cientistas, pesquisadores e alunos de pós-graduação para o processamento e produção de Artigos Científicos de Alto Impacto.”

No site você encontra todas as vídeo-aulas e apostilas disponíveis gratuitamente!
De acordo com as solicitações enviadas por instituições, exporadicamente também é realizado o curso presencial. O próximo curso programado é para o dia 17 de agosto, das 8h30 às 17h30, na Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e Relações Públicas (Abrapcorp).

Curso em inglês

Agora, se você já tem experiência e facilidade com a escrita em inglês, aqui vai uma dica de ouro para complementar o curso anterior.

A universidade de Stanford disponibilizou um curso muito bom chamado Writing in the Sciences“. Acho desnecessário discutir a qualidade de um curso desta universidade, mas posso ao menos afirmar que este curso me ajudou demais.

“This course trains scientists to become more effective, efficient, and confident writers. This is a hands-on course that emphasizes interactive examples and practice. In the first four weeks, we will review principles of effective writing, examples of good and bad writing, and tips for making the writing process easier. In the second four weeks, we will examine issues specific to scientific writing, including: authorship, peer review, the format of an original manuscript, and communicating science for lay audiences. Students will complete editing exercises, write two short papers, and edit each others’ work.”

 

“Preciso mesmo disso? Quando estiver perto da entrega eu me viro!”

Bem conheço a mania de querer “si consagrar” com o famoso jeitinho brasileiro.
Acreditem, na hora simplesmente não vai dar.

Pode parecer muito mais importante dar atenção ao desenvolvimento do seu projeto, querer “botar a mão na massa”, mas se deixada para última hora a “pequena” parte da escrita vai te pegar e deixar louco! Além do fato de que o trabalho não terá um resultado satisfatório caso a pesquisa e escrita da monografia ou artigo científico sejam deixados em segundo plano. Afinal, como executar um projeto sem qualquer tipo de planejamento?

Também pode parecer algo simples, “é só escrever, não tem segredo!”, mas não é.
Quando você se depara com o título de uma seção para escrever, tudo desaparecer da cabeça e você se sente com 7 anos tentando escrever sua redação de retorno das férias.

Eu mesma, apesar de ter tido uma disciplina específica sobre isso na graduação (creio que todos os cursos tenham), precisei comprar o livro “Metodologia de Pesquisa em Ciência da Computação“.

Se fosse você, aproveitaria ao máximo estas oportunidades.
É uma pena tê-las conhecido somente após concluir meu projeto. O ponto positivo é que o conhecimento fica e certamente será aplicado em objetivos futuros.

Deixe uma resposta